Arquivo mensal: março 2014

Café: de bebida endemoniada às nossas mesas

Que tal um pouco de História para encerrar o domingo? Hoje, vamos falar um pouco do café, aquela bebida adorada pelos pré-vestibulandos e pelos nossos avós!

A descoberta dessa bebida, muito popular hoje em dia, data de 800 a.C., na Etiópia. Já na época, era considerado perigoso, porque deixava quem o consumisse acordado e muito disposto a discutir! Por volta do ano 1500, o produto chegava à Europa (transportado pelos nossos ilustres amigos portugueses, claro) vindo da Turquia.

Apesar do enorme sucesso que faz hoje, nem sempre o café foi bem aceito. Ele chegou até mesmo a ser proibido na Turquia e quem fosse pego consumindo a bebida podia ficar até 6 meses preso! Em 1615, a população italiana chegou a pedir ao papa Clemente VIII que declarasse a bebida demoníaca! Ironicamente, ocorreu justamente o oposto: Clemente VIII gostou tanto da bebida que a abençoou! Não deu outra: o café começou a se disseminar pela Europa.

O conceito de café da manhã surgiu no século XVIII e é oriundo de seu efeito estimulante. Os antigos europeus acordavam com o nascer do Sol e usavam o café para espantar o sono. Antes disso, os mais ricos acordavam bebendo leite ou vinho e os mais pobres, água ou cerveja – incluindo as crianças! Imagine só! Se não existisse café, estaríamos bebendo cerveja às 7 horas da manhã para acordarmos! Que coisa, não?

 

Fonte: BERUTTI, F. Caminhos do homem: volume 2: história: ensino médio. Curitiba, PR: Base Editorial, 2010

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Miniaturas de gente?

Acredita-se que o microscópio foi inventado em 1590 por dois holandeses fabricantes de óculos e a primeira célula só foi “descoberta” em 1665. Então, como as pessoas explicavam ocorrer a gravidez?

Os antigos sabiam que era necessário o contato entre o macho e a fêmea para o desenvolvimento dos filhotes e desconfiavam de que o líquido seminal masculino tinha um papel importante na reprodução, mas não sabiam, por exemplo, até que ponto a mulher era essencial no processo. Muitos achavam, inclusive, que a fêmea tinha apenas a função de abrigar o novo ser vivo, funcionando como uma espécie de incubadeira.

Em 1675, o holandês Anton von Leeuwenhoeck observou ao microscópio o sêmen de vários animais e viu uma imensa quantidade de seres que nadavam ativamente, denominando-os espermatozoides (animais do esperma). Nessa mesma época, os óvulos também foram descobertos, mas a importância dessas células não foi reconhecida.

Surgiu então, nessa época, uma teoria conhecida como Teoria da Pré-Formação, que acreditava que, no interior de cada espermatozoide, existia um homem em miniatura, um homúnculo, ou seja, o ser humano já existia, mas em uma forma microscópica. Segundo essa teoria, cada pessoa tinha dentro de si um ou mais homúnculos, que continham, cada um, homúnculos menores, que por sua vez continham mais homúnculos e assim por diante. Dizia-se, então, que Eva, a primeira mulher, possuía, em seu corpo, homúnculos de todas as gerações de seres humanos, cerca de 200 milhões. Cada geração teria, portanto, um ovo a menos que a anterior, chegando-se à conclusão de que, após 200 milhões de gerações, a vida humana terminaria!

BioImagem de um homúnculo num espermatozoide divulgada na época.

Essa teoria só foi derrubada no século XIX, quando a importância das células femininas na reprodução foi reconhecida.

Esse é um exemplo clássico de como as teorias vão sendo melhor explicadas com o avanço da tecnologia e das pesquisas.

Fonte: JÚNIOR, C. S. e SASSON, S. Biologia – volume 3 – 3ª série – genética, evolução e ecologia. 7ª edição, São Paulo: Saraiva, 2005.

homem-mal-cheiro1

Salve, galera! Tô prometendo esse post aqui desde sábado passado quando resolvi utilizar meus dotes culinários pra fazer um difícil e complicado bife acebolado, pois fiquei com o danado cheiro de cebola nas mãos! Portanto, resolvi ajudar meus colegas cozinheiros ou quem tenta cozinhar (como eu) a se livrar desse cheiro.

Pois bem, utilizando a bela química, temos muitas formas de tirar o cheiro de cebola (e, como bônus, de alho também) das mãos. Mas vou focar na mais barata, ou melhor, na maneira grátis porque estudante é tudo duro…

Primeiramente, vamos explicar de onde vem o cheiro. O pobre enxofre é classificado como o elemento mais fedorento da tabela periódica. Infelizmente, é mesmo. Os compostos sulfurados (que contém enxofre) geralmente possuem odor ruim. A cebola e o algo possuem muito enxofre em suas estruturas e, portanto, tem esse odor agradável! Abaixo, o ingrediente ativo do alho, o dissulfeto de dipropenila, com dois átomos de enxofre no centro:

 CH═ CH — CH2 — S — S — CH2 — CH ═ CH2

Quando vamos começar a bagunça na cozinha e cortamos o alho, suas enzimas alinases transformam o dissulfeto de dipropenila na alicina (estrutura abaixo), ocorrendo então uma oxidação branda. A alicina perde facilmente os seus átomos de oxigênio e converte-se novamente no dissulfeto, que é mais volátil.

 O

CH═ CH2 — CH2 — S — S — CH2 — CH2 ═ CH2

No caso da cebola, as enzimas alinases transformam o sulfóxido (óxido de enxofre) em ácido propenilsulfênico e esse, por sua vez, transforma-se espontaneamente em propanotial-S-óxido. Portanto, percebemos que, tanto com a cebola quanto com o alho, há reações de oxidação com seus compostos (é fácil perceber isso, pois quando os cortamos, ambos entram em contato com o oxigênio e, portanto, oxidam) e que depois formam o composto fedorento.

Um belo método de evitar com que esse cheiro permaneça em sua mão é esfregando as mãos em aço inoxidável com água corrente. O aço é formado basicamente por ferro, cromo e níquel e praticamente não oxida. Dessa forma, ele funciona como um catalisador pra reação de oxidação e, portanto, não permitem que o composto se “desoxide” e vá para a forma fedorenta. A água levará embora toda a inhaca e suas mãos estarão sem o bendito cheiro!

Existem “sabonetes” feitos de aço inoxidável. Se você fizer faculdade de culinária ou é um amante fervoroso da cebola é bom comprar um pra não acharem estranhos você esfregando as mãos na torneira ou numa colher. Mas, como eu não tenho grana pra isso, vai na torneira mesmo!

Espero ter ajudado vocês, pessoal! Continuem acompanhando a página e indiquem para seus amigos, tanto os que gostam quanto os que não gostam de cebola! 😀

Fontes:

http://www.brasilescola.com/quimica/como-funciona-sabonete-inox.htm

http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2005jun_qnc_cebola.pdf

Bafômetro? Calma, a Química te explica.

Homer Sexta

Bebeu, dirigiu e caiu na blitz? É, amigo, pode ir preparando o dinheiro da fiança, da multa e, ainda sim, uma grana pra andar de ônibus um bom tempo. Com a nova tecnologia dos bafômetros nas blitz por todo o país, ficou difícil o sujeito sair na boa depois de beber e dirigir. E uma tacinha de vinho já pega.  A pena varia de multa de R$955,00 e apreensão de carteira (com níveis de álcool no sangue acima de 0,1 mg/l) e , caso esteja ainda mais bêbado, como o Homer acima quase sempre está (com níveis acima de 0,3 mg/l), além da multa e de perder a carteira, você vai pra cadeia (caso não tenha a linda bagatela de R$1200,00). Ok, assunto velho, mas, afinal, como um sopro determina a embriaguez?

O etilômetro, nome técnico do popular bafômetro, é um dispositivo eletrônico aliado à química. Com um catalisador, que é um reagente que acelera as reações químicas, o álcool expirado reage com o oxigênio do aparelho e essa reação libera ácido acético (nosso querido CH3CH2OH), íons de hidrogênio e elétrons. Esses elétrons, por sua vez, geram uma corrente elétrica. Quanto mais álcool, maior a corrente: um chip faz as contas e dá a concentração de álcool no sangue. Ao fim do processo, só resta água na forma de vapor. Abaixo, a linda reação do álcool transformado em multa:

Alcool+O2

E não tem balinha, mandinga, reza braba nem encher a boca com carvão ativado (acreditem, é uma das técnicas utilizadas). Por mais que o carvão absorvesse as moléculas de álcool expelidas, não seriam suficientes pra você deixar de pegar o busão cheio a partir de agora.

Então, vamos combinar? Racha a gasosa com aquele seu primo que não bebe ou então chama um táxi.  Vamos nos divertir com sabedoria pra divertir sempre! Bom fim de semana pra vocês e, como diria minha mãe, JUÍZO!

Fontes:

http://super.abril.com.br/tecnologia/como-funciona-bafometro-447645.shtml

Os 7 problemas do milênio

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No ano 2000, o Clay Mathematics Institute, em comemoração aos 100 anos do enunciamento dos famosos 23 problemas de Hilbert, no Collége de France, em Paris, lançou um desafio conhecido como Prémio Millenium.

Esse desafio é composto pelas 7 questões matemáticas mais difíceis da contemporaneidade e a resolução de cada uma delas garante ao pesquisador um prêmio de US$ 1 milhão.

Eis, abaixo, as 7 questões:

1) Conjectura de Poincaré: afirma que qualquer variedade tridimensional fechada e com grupo fundamental trivial é homeomorfa a uma esfera tridimensional. Ou seja, a superfície tridimensional de uma esfera é o único espaço fechado de dimensão 3 onde todos os contornos ou caminhos podem ser encolhidos até chegarem a um simples ponto.

2) Hipótese de Riemann: o alemão Georg Bernhard Reimann afirmou ter descoberto a fórmula para se encontrar todos os números primos. Entretanto, essa hipótese não foi provada e, até agora, não foi refutada. O ganhador, então, será aquele que prová-la ou contestá-la.

3) P versus NP: de modo simplificado, o problema pergunta se existem problemas matemáticos cuja resposta pode ser verificada em tempo polinomial, que não possam ser resolvidos (diretamente, sem se ter um candidato à solução) em tempo polinomial. Ilustrando: se alguém lhe disser que o número 13.717.421 pode ser escrito como o produto de dois outros inteiros, você provavelmente demorará para provar isso; contudo, se lhe assoprarem que ele é o produto de 3.607 por 3.803, você seria capaz de muito rapidamente verificar tal fato. O problema “P versus NP” parte da constatação que são muito frequentes as situações em que parece ser muito mais rápido verificar solução do que achar um processo de resolução e então pergunta: isso sempre ocorre ou simplesmente ainda não descobrimos um modo de resolvê-los rapidamente?

4) Equações de Navier-Stokes: no século XIX, Claude Navier e George Stokes tentaram, através de equações, entender e desvendar como ocorria o movimento dos fluidos. Entretanto, o entendimento teórico destas equações está incompleto, uma vez que elas incluem um fenômeno conhecido como turbulência. O desafio, então, é comprovar essas equações e explicar como tal fenômeno se relaciona com elas.

5) Conjectura de Hodge: propõe que certos grupos de co-homologia de Rham são algébricos, isto é, são somas de dualidades de Poincaré de classes homólogas de subvariedades. Em outras palavras, Hodge afirmou, em 1950, que as equações capazes de descrever formatos cíclicos em várias dimensões são combinações de formas geométricas mais simples, similares a curvas.

6) Teoria de Yang-Mills: Yang e Mills introduziram um quadro novo notável para descrever as partículas elementares usando estruturas que também ocorrem em geometria. Tal teoria foi testada em vários laboratórios experimentais, mas a sua fundação matemática ainda é incerta. O problema consiste na prova com todo o rigor matemático característico da física matemática contemporânea. O vencedor também deve provar que a massa da menor partícula fundamental predita pela teoria quântica de campos seja positiva, ou seja, a partícula precisa possuir um intervalo de massa.

7) Conjectura de Birch e Swinnerton-Dver: partindo do Teorema de Fermat, que afirma que a soma de um número inteiro qualquer elevado à enésima potência com outro número qualquer elevado à mesma potência dá como resultado um terceiro número elevado à mesma potência (ou, se você preferir: (x^n) + (y^n) = z^n) só tem resultado se n for igual a dois. Para qualquer outro número de n, a equação não é solucionável, exceto para casos especiais. A conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer tenta justamente estabelecer essas exceções.

Destas questões, apenas uma delas, a Conjectura de Poincaré, foi resolvida. Em 2003, o russo Grigory Perelman anunciou ter encontrado uma solução positiva para o problema. Além do prêmio em dinheiro, ele conquistou a medalha Fiels (o Prêmio Nobel da Matemática), mas rejeitou as duas premiações, alegando que pesquisa em prol da ciência.

Em Janeiro deste ano, o cazaque Mukhtarbay Otelbaev anunciou ter encontrado a solução parcial para as equações de Navier-Stokes. Sua resolução está sendo analisada pelo comitê do Clay Mathematics Institute.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Problemas_do_Pr%C3%A9mio_Millenium

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2014/01/10/matematico-cazaque-encontra-solucao-para-um-dos-problemas-do-milenio.htm#fotoNav=3

http://www.terra.com.br/noticias/educacao/infograficos/questoes-matematicas/