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O Prêmio Nobel

Por Thiago Santana

 

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Em geral, outubro é o mês quando são revelados os laureados pelo Prêmio Nobel. A cerimônia, tão tradicional, faz parte da nossa cultura e está presente no imaginário popular. Mas você conhece a história do prêmio?

 Tudo tem início com o industrial e inventor sueco Alfred Nobel. Nascido em Estocolmo e desde cedo manifestando interesse por literatura e ciências naturais, ingressa no curso de Engenharia Química. Trabalhando na empresa do pai, que era também engenheiro, realizou diversas experiências com a nitroglicerina, buscando aprimorar seu uso na construção civil. Após um acidente em uma dessas experiências, seu irmão Emil morre, fazendo com que ele se mude para uma região mais distante. O objetivo principal de Nobel era transformar a nitroglicerina em um material mais facilmente manuseável, e por meio dessas pesquisas chegou à pasta que deu origem à dinamite, em 1867. A invenção, devido às suas diversas aplicações, foi um sucesso e rapidamente se espalhou pelo mundo. Nobel, ao longo da vida, ainda se dedicou à outras invenções, dentre as quais a borracha sintética. Contudo, a maior parte de sua fortuna teve origem nos seus investimentos em petróleo, sobretudo nas companhias fundadas pelos seus irmãos. Nobel morreu em 1896 de hemorragia cerebral.

O inventor deixou uma enorme fortuna e um testamento ordenando a utilização de 94% do dinheiro para a criação de um prêmio que reconhecesse figuras que contribuíram para o avanço cultural e científico da humanidade. As cinco categorias iniciais da premiação eram Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Em 1968, Economia foi incluída como uma das áreas do Prêmio Nobel. Desde 1901, ano da primeira premiação, a cerimônia ocorre anualmente em Estocolmo, na Suécia, tendo sido interrompida durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Os laureados recebem uma medalha de ouro, um diploma e uma quantia em dinheiro a ser determinada pela Fundação Nobel, sendo que em 2012 a quantia dada foi de 1,2 milhões de dólares.

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O Prêmio Nobel tornou-se a forma mais prestigiada de reconhecimento nas áreas que abrange. Contudo, isso não o poupou de diversas críticas ao longo de sua história. Dentre as objeções ao prêmio está o predomínio de um eurocentrismo, sobretudo na categoria de literatura. Além disso, influência política e falta de merecimento já foram apontados por alguns críticos do prêmio. Há, inclusive, casos de pessoas que se recusaram a aceita-lo, sendo o caso mais famoso o do filósofo e escritor Jean-Paul Sartre.

Os critérios para as categorias de premiação já mudaram diversas vezes. Hoje em dia, a escolha dos laureados tende a ser menos conservadora. Isso torna possível a escolha, por exemplo, de artistas como Bob Dylan, um cantor popular, para a categoria de literatura, devido ao seu poderoso lirismo. Talvez este tipo de situação seja mais comum a partir de agora.

Agora que você já conhece melhor a história do Prêmio Nobel, que tal conferir o nome e o trabalho dos vencedores deste ano?

Referências

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/811574-conheca-ganhadores-que-recusaram-o-nobel-os-impedidos-por-hitler-e-outras-curiosidades.shtml

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/10/05/conheca-a-origem-dos-premios-nobel.htm

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/curiosidades/premio-nobel.htm

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Um pouco sobre Machado de Assis

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Neste dia 29 de setembro, completam-se 108 anos da morte de um dos maiores escritores brasileiros da história: Machado de Assis. Para homenageá-lo, separamos algumas curiosidades biográficas sobre o autor.

Machado, ou Machadinho, como era conhecido pelos amigos, era filho de um descendente de escravos e de uma mulher portuguesa. Nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e tinha epilepsia, ao que alguns críticos atribuem vários aspectos de sua obra. Mulato num país escravocrata e de origem pobre, nunca teve educação formal. Alguns biógrafos ainda apontam que, durante a infância, precisou trabalhar como engraxate e vendedor de doces. Assim, sua erudição foi conquistada através do autodidatismo, tendo aprendido o alemão e o inglês por conta própria, e o francês com a ajuda de um conhecido.

Começou escrever cedo e teve seu primeiro conto publicado aos 19 anos. Seu primeiro livro, Crisálidas, de poemas, foi publicado quando contava 35 anos. No ano seguinte estreou na prosa, com os Contos Fluminenses, notadamente ligado à escola romântica, então em voga no Brasil.

Com o amadurecimento, abandonou o Romantismo em decadência e buscou inaugurar uma nova prosa literária brasileira. Combinou as digressões do português romântico Almeida Garrett e do francês Xavier de Meistre com a ironia inglesa de Henry Fielding e Laurence Sterne, e o resultado foi um estilo único e inconfundível. Outras influências de Machado durante a maturidade incluem obras numerosas e ecléticas: a Bíblia, o teatro grego, a literatura romântica brasileira e europeia, poetas latinos, moralistas e filósofos de todas as épocas.

Datam desta época suas obras mais conhecidas pelo público. Memórias Póstumas de Brás Cubas foi publicado em 1881 e inaugura o estilo realista no Brasil. Quincas Borba e Dom Casmurro, publicados 4 e 10 anos depois das Memórias, respectivamente, consolidaram a imagem de Machado de Assis como um grande escritor. Esaú e Jacó, obra mais diretamente política, foi publicada em 1904, e o Memorial de Aires, seu último romance, em 1908, ano de sua morte.

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Primeira edição das Memórias Póstumas

Durante esse período, Machado ainda se notabilizou pelos contos. Em Contos Fluminenses e Histórias da Meia-Noite ainda se nota a filiação do escritor ao Romantismo, mas a partir de Papéis Avulsos, de 1882, Machado demonstra ser um contista tão grande quanto romancista. Nesta época foram escritos seus contos mais famosos: A Cartomante, A Mão e a Luva, Missa do Galo, Um Homem Célebre e O Enfermeiro.

Além dos contos e romances, Machado de Assis também escreveu diversas peças de teatro e poemas, sem, contudo, o mesmo destaque conquistado na prosa.

Ao longo de sua vida, o escritor trabalhou em jornais, periódicos e tipografias, como a Tipografia Nacional, A Semana Ilustrada, Diário do Rio de Janeiro, Jornal das Famílias, Revista da Semana, Correio Mercantil e O Espelho. Possuiu diversos pseudônimos na escrita jornalística, como, por exemplo, Dr. Semana. Além da escrita, Machado ainda trabalhou em cargos públicos, como no Ministério da Viação.

Já um escritor reputado, Machado foi um dos fundadores, presidente e imortal detentor da cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras, em 1897. Catedrático assíduo, das 96 sessões realizadas durante sua presidência, faltou apenas a duas. Em 1901, quando ainda era presidente, criou na ABL uma série de encontros festivos onde os convidados eram servidos com panelas de prata. Essa é a origem da expressão panelinha, significando um círculo fechado de amigos.

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Machado de Assis e a panelinha da ABL

Em 1902, com a morte da esposa Carolina Xavier, a Carola, por quem era profundamente apaixonado, Machado enfrenta uma profunda depressão e sua saúde piora. Morre no dia 29 de setembro, vítima de uma úlcera cancerosa na boca. Sua morte é lamentada e noticiada no Brasil e em Portugal, e seu enterro acompanhado por uma multidão saída da Academia.

Agora que conhecemos um pouco mais sobre a vida desse grande escritor, que tal homenageá-lo, no aniversário de sua morte, lendo alguma de suas obras-primas?

Referências

http://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia

http://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografiahttp://blog.estantevirtual.com.br/2016/06/21/cinco-curiosidades-sobre-machado-de-assis/?nabe=5606313106604032:1&utm_referrer=https%3A%2F%2Fwww.google.com.br%2F

Nomenclatura dos Elementos Químicos

por Iara Bolina

 

A nomenclatura dos elementos químicos é extremamente diversificada, pois alguns levam o nome de corpos celestes ou de seres mitológicos e outros têm a ver com a cor e o lugar geográfico onde foram encontrados, entre outras características.

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Os primeiros elementos químicos descobertos foram ouro, prata, estanho, mercúrio, cobre, chumbo, ferro, enxofre e carbono. Os seus símbolos são originados dos seus nomes escritos em latim: aurun (ouro), argentum (prata), ipsum (carbono), stanum (estanho), ferrum (ferro), sulphore (enxofre), etc.

As primeiras nomenclaturas dos elementos não obedeciam a uma regra definida, mas eram dadas de modo aleatório pelos pesquisadores que os descobriam: relacionavam-nos a minerais, planetas, estrelas, o local onde foram encontrados e suas características físicas ou químicas. Inclusive, os nomes de alguns têm origens bem interessantes e diferentes, como o caso do níquel, manganês e ununhéxio.

  • Níquel: Os mineiros alemães encontraram um minério muito parecido com o cobre, porém o cobre tingia os vidros de azul, enquanto que esse novo metal tingia-os de verde. Como eram supersticiosos, alguns desses mineiros começaram a chamá-lo pelo nome deKupfer-nickel, que significa “cobre do Velho Nick”, isto é, “cobre enfeitiçado pelo Diabo” ou “cobre falso”. Mesmo depois de se descobrir que esse era na verdade um novo elemento, ele continuou a ser chamado de nickel ou níquel, em português (FOGAÇA, 2016).

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  • Manganês: O manganês levou o nome por engano: seu minério foi confundido com a magnetita. A magnetita, por sua vez, herdou o nome de Magnes, suposto pastor grego que a teria descoberto (FOGAÇA, 2016)

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  • Ununhéxio: Cada algarismo do número atômico destes últimos elementos foi convertido em uma “sílaba” do seu nome. O algarismo 1, por exemplo, se torna “un”, e o 6, “héxio”. Então o elemento de número 116 virou “ununhéxio” (TOMA E OLIVEIRA, 2016).

 

O significado dos nomes de alguns elementos também remete a suas características físico-químicas, como

  • o ouro, que significa amarelo;
  • a prata, que significa brilhando;
  • o carbono, que significa carvão;
  • o estanho, significa fácil de fundir.

 

Outros elementos, por sua vez, foram homenageados com os nomes de cientistas. Veja a figura abaixo:

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Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/nomes-de-elementos-e-cientistas.jpg

 

Além de ser uma referência ao físico e químico Ernest Rutherford, uma outra curiosidade sobre o rutherfórdio é que, como os pesquisadores que descobriam ou criavam um elemento tinham o direito de nomeá-lo, esse elemento era também chamado de kurchatóvio, uma homenagem ao físico soviético Igor Kurchatov. Devido a esses e outros problemas, a IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) determinou, em 1947, que, após provada a existência de um novo elemento, os cientistas envolvidos na pesquisa poderiam sugerir um nome para o átomo, porém somente a Comissão de Nomenclatura em Química Inorgânica (CNIC) poderia fazer uma recomendação ao Conselho da IUPAC, que tomaria a decisão final. Enquanto o nome não é escolhido, o elemento em questão recebe um nome provisório, derivado do seu número atômico.

 

Gostou? Quer saber mais sobre o assunto? Confira nossas fontes abaixo!

Fontes:

Toma, Henrique E. e de Oliveira, Luiz Antônio Andrade. “Qual a Origem dos Nomes dos Elementos Químicos?”. Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-a-origem-dos-nomes-dos-elementos-quimicos, 2016.

Fogaça, Jennifer Rocha Vargas. “Origem dos Nomes e dos Símbolos dos Elementos”. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/quimica/origem-dos-nomes-dos-simbolos-dos-elementos.htm, 2016.

Adélio A. S. C. M. Machado, Bernardo J. Herold, João Cardoso, Joaquim Marçalo, José Alberto L. Costa, Maria Clara Magalhães, Maria Helena Garcia, Olivier Pellegrino, Osvaldo Serra, Roberto B. Faria e Rui Teives Henriques. “Os Nomes dos Elementos Químicos”. Disponível em http://www.spq.pt/magazines/BSPQ/649/article/30001596/pdf, 2016.

Sobre educação e literatura

por Thiago Santana

            A escola tradicional parece se esforçar para que os alunos se desinteressem pelo conhecimento. Os estudos de didática e pedagogia costumam atribuir essa característica à dificuldade de dar sentido aos conteúdos vistos. Todos nós tivemos esse questionamento durante o período escolar: afinal, por que estou aprendendo isso se sei que nunca vou usar? Qual é o sentido de aprender? Por que isso e não aquilo?

            O conhecimento escolar não deve ser isolado e transmitido irrefletidamente. E a pedagogia sabe disso há muito tempo. Teorias didáticas interacionistas, humanistas, socioculturais, cognitivistas e várias outras surgiram exatamente para tentar apontar os erros da educação tradicional, que data da Idade Média, e propor um direcionamento que dê uma maior liberdade ao aluno na “digestão” do conhecimento. O que deve ser revisto, na verdade, é a concepção de aluno, que deve deixar de ser encarado como objeto para ser o sujeito da construção do conhecimento. Cada pessoa interage de uma forma diferente com os saberes, e é isso que todas essas correntes de estudos pedagógicos parecem propor.

            Essa ineficiência se estende por todas as disciplinas. Há, por um lado, um ensino de gramática que preconiza a decoreba de termos como “oração subordinada substantiva objetiva direta”. Há, ainda, um ensino de matemática e ciências naturais isolado da realidade, onde a memorização de fórmulas tem muitas vezes um valor em si. Esse tipo de ensino é marcado pelo isolamento do conhecimento e do aluno. Este, em todos os casos, deve receber passivamente a informação sobre os objetos e reproduzi-la de forma irrefletida, com o objetivo, quando muito, de tirar boas notas nas avaliações.

            No meio de tudo isso, o ensino de literatura chama atenção. Estudá-la na escola dificilmente é uma atividade prazerosa. Isso porque, como nas outras matérias, a função do ensino parte de uma transmissão de saberes fechados que devem ser assimilados pelos alunos. No caso específico da literatura, o que ocorre é que o texto literário normalmente é visto como um meio de acesso a elementos que não são necessariamente literários. É comum encontrar práticas pedagógicas no ensino de literatura que buscam extrair do texto alguns preceitos morais ou análises linguísticas. Encontrar, por exemplo, o sujeito na sintaxe d’Os Lusíadas. A dimensão estética da literatura, nesses casos, fica sempre em segundo plano.

            Outra prática comum no ensino de literatura tem a ver com a transmissão de um patrimônio cultural da nação. É daí que vêm os famosos períodos literários, que todos foram programados para decorar durante o Ensino Médio. “O que você deve aprender disso é que Gonçalves Dias era um romântico indianista, enquanto Álvares de Azevedo era ultra-romântico. Não os confunda.” – esta era a mensagem das aulas de literatura.

            O que se observa é uma relação com a literatura presa às noções de texto-modelo, tradição e finalidade. Embora seja possível apreender dos textos os elementos mencionados, a arte literária, como todas as outras, os transcende de muito. A leitura desse tipo de texto não se limita e não pode se limitar ao “meio”, ou à transmissão de saberes legitimados. Ela deve, como em todas as outras áreas, considerar o aluno-leitor como polo indispensável para sua realização.

            Esta forma de pensar o ensino de literatura encontrou fundamentação teórica na filosofia e teoria literária da segunda metade do século XX. Filósofos e críticos como Jacques Derrida e Hans Robert Jauss, vindos de diferentes tradições do pensamento, destacaram nos seus trabalhos as especificidades do texto literário que escapam à imposição de um significado fechado. Todas essas teorias convergem para o leitor, sujeito único e individualizado, como elemento fundamental da experiência literária. Assim, o sentido da leitura só pode ser finalizado no ato da leitura, e não em um momento anterior.

            Como, dessa forma, conceber um ensino de literatura na escola? Se os textos só se consumam enquanto tais com a participação do leitor, qual é o sentido de ensinar algo tão fundamentalmente individual? A resposta está no conceito de letramento literário, desenvolvido por, dentre outros, Rildo Cosson, Magda Soares e Graça Paulino nos últimos anos. Definido pelos autores como “processo de apropriação da literatura enquanto produção literária de sentidos”, o letramento literário deve ser encarado como um processo inacabado, atualizado constantemente ao longo da vida. Os autores ainda apontam que “para que esse letramento seja de fato vivido no ambiente escolar é preciso, primeiramente, proporcionar aos alunos uma experiência real de leitura a ser compartilhada com seus pares, visando à formação de uma comunidade de leitores.”.

            Um contato efetivo com os textos literários torna-se então indispensável. Além disso, a literatura deve ser vista como uma arte aberta, constantemente atualizada e reformulada a partir do leitor. O texto impulsiona o diálogo entre o sentido e o leitor, mas não o define. Desta forma, o papel do professor torna-se o de mediar a relação, tentando ao máximo ampliar os sentidos construídos durante a leitura.

            Essa forma de trabalhar concede um maior espaço ao aluno na sua experiência de leitura. A própria natureza da literatura é de jogo, diálogo e reinvenção. Qualquer ensino que tente mutilar essa liberdade colocará em risco o prazer da leitura literária. Por isso, a transmissão passiva de sentidos pode não apenas dar uma visão reduzida do que é essa arte, como também causar desgosto e aversão. E é exatamente isso que a escola nos modelos tradicionais tem feito. Como disse João Alexandre Barbosa, ex-professor de literatura da USP, a educação tradicional apresenta aos alunos o Machado de Assis filosofante e velho da Academia Brasileira de Letras, quando deveria mostrar o Machado moleque, brincalhão, aberto e subversivo. Este caminho tornará possível a criação de leitores verdadeiramente sensíveis às possibilidades da literatura, sem que uma autoridade o diga qual é a maneira correta de ler e pensar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, M; SUASSUNA, L. O ensino de literatura na educação básica: da crise da perspectiva tradicional ao desenvolvimento de novos paradigmas metodológicos. Pau dos Ferros, v. 02, n. 02, p. 06 – 26, set./dez. 2013.

BARBOSA, João Alexandre. Literatura nunca é apenas literatura. São Paulo: FTD, 1994.

CÂNDIDO, Antônio. O direito à literatura. In: Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.

COSSON, Rildo. Círculos de leitura e letramento literário. São Paulo: Contexto, 2013.

BAGNO, Marcos (Org.). Linguística da norma. São Paulo: Loyola, 2004.

Truques matemáticos contidos na música – 1ª Parte

Por Fábio Silva

Ah, a música! Essa misteriosa madame que se entranha pelos nossos ouvidos e que é considerada por muitos como tempero da alma! Uma arte que atravessa gerações, povos, credos e estilos de maneira plural, e que universalmente se apresenta como um precioso bem da raça humana. Assim como outras formas de arte que encantam o ser humano, por trás da música encontram-se a Matemática! A partir de hoje desvendaremos algumas dessas grandes sacadas matemáticas. Vamos juntos?

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Escala Musical: A Oitava

Se você é um bom observador, sabe que música nada mais é do que a sucessão de som e silêncio organizados através do tempo. Se já estudou um pouco mais a fundo, sabe que as notas musicais são executadas através de instrumentos que geram ondas com frequências específicas de um conjunto harmônico pré-definido – por essa razão não se pode tocar qualquer nota em uma música, além disso, nossos ouvidos rejeitam quando um instrumento está desafinado.

Portanto, tanto para a organização das notas através do tempo, quanto para a execução das notas e acordes corretos, TUDO É MATEMÁTICA! E hoje vamos tratar do assunto mais conhecido tanto para leigos quanto para experts: As notas musicais.

São 7 notas básicas que usamos para representar os inúmeros sons empregados na música: DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ e SI (em um teclado, essas são as teclas brancas). A partir dessas, são geradas todas as outras notas, variando apenas a frequência para notas mais agudas ou mais graves. Podemos definir ainda algumas “semi-notas”, ou meio-tons, que são notas que ficam no meio do caminho entre uma nota e outra (em um teclado, essas são as teclas pretas). São eles: Dó#, Ré#, Fá#, Sol# e Lá# – O símbolo # significa “sustenido”. Para melhor explicar, dê uma olhada neste exemplo:

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Percebe-se que as notas pretas ficam entre duas notas brancas no teclado, por ser um intermediário entre elas. Assim, podemos contar 12 notas que compõem o básico do mundo da música.

Mas sabemos que num violão, por exemplo, não existem apenas 12 casas. Da mesma forma, em um teclado não existem somente 12 teclas. Ocorre que cada conjunto de 12 teclas forma uma “Oitava”, e assim a próxima tecla à direita faz parte da próxima oitava com uma frequência maior, e portanto mais aguda; ou a tecla anterior à esquerda faz parte de oitava anterior com uma frequência menor, e portanto mais grave.

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Agora vem a sacada matemática de hoje: A diferença entre uma nota ‘Dó’ e uma nota ‘Dó’ subsequente é de uma Oitava, certo? Mas de quanto é, de fato, essa diferença?

O nome Oitava vem do fato de que a oitava nota de uma sequência (sem contar os semi-tons, ou seja, a oitava tecla branca) é igual em sonoridade à primeira nota desta sequência. De maneira prática, esta é uma relação de frequências múltiplas de 2, ou seja, o ‘Dó’ uma oitava acima tem o dobro da frequência do ‘Dó’ anterior, e por isso tem sonoridade semelhante. O que ocorre matematicamente é: tem-se, ao todo, 12 semi-tons, e a relação de frequência de um tom para outro é exatamente a raiz duodécima de 2 (aproximadamente 1,0594631). Ao transitar de um semi-tom a outro subsequente, estamos multiplicando a frequência do anterior por esse número, obtendo a raiz duodécima de 2. Ao final dos 12 semitons, teremos a multiplicação sucessiva da raiz duodécima de 2 por ela mesma 12 vezes, obtendo, assim, 2. Parece difícil? Veja essa imagem, que ilustra o que foi explicado:

musica4Aqui temos um exemplo, com a nota Dó à frequência inicial de 16,532Hz, chegando a sua oitava acima à 32,704Hz:

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Agora sim, muito fácil, não é?

Esta é a técnica precisa utilizada na afinação de pianos profissionais.

O vídeo do “MinutePhysics” abaixo traz mais informações sobre o assunto:

Até a próxima sacada! =D

 

Fontes:

http://musicaincolor.blogspot.com.br/
http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem1_2003/991828Giorgia-MansanaresF809_RF09_0.pdf
http://www.infoescola.com/musica/notas-musicais/
https://raquellima16.wordpress.com/2011/01/27/caracteristicas-do-som-frequencia-amplitude-e-timbre/
http://www.descomplicandoamusica.com/matematica-na-musica/
http://www.showmetech.com.br/como-afinar-um-piano/

Um pouquinho sobre o Dia das Mães

Por Bruna Santana

Ser mãe é reinar em amor, ser amor.

Anderson Cavalcante

Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio.
Adivinhar sentimentos.
Encontrar a palavra certa nos momentos incertos.
Nos fortalecer quando tudo ao nosso redor parece ruir.
Sabedoria emprestada dos deuses para nos proteger e amparar.

Sua existência é em si um ato de amor.
Gerar, cuidar, nutrir.
Amar, amar, amar.
Amar com um amor incondicional que nada espera em troca.
Afeto desmedido e incontido, Mãe é um ser infinito

(Trecho do livro Minha mãe, meu mundo)

 

Comemorado sempre no segundo domingo de maio, o Dia das Mães está chegando. Você sabe de onde surgiu esse dia tão importante para homenagear aquela que nos deu à luz?

Este costume começou na antiguidade. Existem registros de que os gregos homenageavam a mãe dos Deuses, Reia. Os romanos também possuíam celebração semelhante para sua mãe divina, Cibele, mas a ideia do Dia das Mães surgiu a partir de uma americana.

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Anna Jarvis, idealizadora do Dia das Mães nos Estados Unidos.

Anna Jarvis perdeu sua mãe em 1905. Antes de morrer, ela já manifestava o desejo de criar um feriado especial para honrar as mães, com o intuito de fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais e de incentivar crianças a lembrar e homenagear suas mães. Anna lutou durante 3 anos, com a ajuda de algumas amigas até que, em 10 de maio de 1908, conseguiu que fosse celebrada uma missa em homenagem às mães na Igreja Metodista Andreda, em Grafton (Virgínia Ocidental). Tal fato chamou a atenção dos líderes locais e do governador do estado, William Glasscock, que definiu a data 26 de abril de 1910 como o dia oficial de comemoração em homenagem às mães.

A celebração oficial em âmbito estadual chamou a atenção de outros governadores que também resolveram adotar a ideia. Então, em 1914, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, propôs, a partir da sugestão de Anna, que o dia nacional das mães fosse comemorado em todo segundo domingo de maio.

No Brasil, tal celebração teve início no dia 12 de maio de 1918, na Associação Cristã de Moços de Porto Alegre. Em outros locais, também aconteceram celebrações semelhantes associadas, em sua maioria, em instituições religiosas. Em 1932, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, o Dia das Mães passou a ser celebrado, assim como nos Estados Unidos, em todo segundo domingo de maio.

 O Dia das Mães em outros países

  • Assim como no Brasil, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de Maio no Japão, Turquia, Itália, EUA e em muitos outros países;
  • Em muitas partes do mundo, essa data é comemorada no primeiro domingo de Maio, como é o caso de Portugal, Moçambique, Espanha, Hungria e da Lituânia;
  • Em várias localidades, essa celebração ocorre em uma data fixa, como é o caso do México, Guatemala, El Salvador e Belize, que homenageiam as mães no dia 10 de maio, embora ocorram festejos durante todo o ano;
  • Alguns países não celebram o Dia das Mães propriamente dito, como é o caso da Tailândia, que comemora o aniversário da Rainha Sirikit, considerada por muitos a “mãe de todos os tailandeses”, e de Israel, que comemora um dia da família.

 

Fontes

http://www.ipb.org.br/uph/imagens/dia_das_maes.pdf

http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-das-maes.htm

http://www.megacurioso.com.br/datas-comemorativas/36495-voce-conhece-a-origem-do-dia-das-maes-.htm

Por trás de símbolos e cores, padronização e história: uma viagem pelo mundo das bandeiras nacionais

Por Eduardo Klein

Listras e faixas, estrelas ou brasões. Em todo o mundo, um dos elementos mais representativos dos países é a bandeira. Não apenas entre as nações! Estados, municípios, condados e outras estruturas regionais que variam de país para país também podem contar com bandeiras próprias, aumentando consideravelmente o número dessas em uso e circulação.

 

Embora a proposição e a criação de bandeiras se alternem de acordo com a legislação aplicada em cada país, os padrões que dizem respeito ao design e à construção, propriamente dita, dos também chamados pavilhões, ganharam uma área própria de estudos em 1957. Trata-se da Vexilologia, que buscou em um prefixo originário do latim e correspondente à bandeira – vexillum – um termo que abrangesse a análise e discussão sobre o simbolismo, uso e história de bandeiras em todo o mundo.

 

Desde então, a Vexilologia passou a ser o centro dos estudos relacionados a bandeiras nacionais ou institucionais, históricas ou não, concentrando-se em uma entidade em nível global, a Federação Internacional de Vexilologia (ou Fédération Internationale des Associations Vexillologiques – FIAV). Ela, por sua vez, agrega outras 52 associações igualmente dedicadas a desenvolver um conhecimento científico sobre os tipos, formas e funções das bandeiras em todo o  mundo.

 

Elementos que estruturam uma bandeira

Uma vez que a Vexilologia aborda o estudo das bandeiras, por vexilologista entende-se o responsável por desenvolver graficamente esse tipo de representação. No processo de criação de uma bandeira, ele utiliza de uma série de elementos visuais organizados em categorias observando, ainda, um conjunto de denominações voltado ao futuro emprego da peça. Elas se dividem em 19 tipos que, combinados ou não, relacionam-se ao uso terrestre ou marítimo e em nível civil, institucional governamental ou público, somado ainda ao uso militar. Essa normatização foi desenvolvida pelo professor Whitney Smith, a quem também se atribui a criação do termo Vexilologia

 

Entre os outros padrões em uso estão as Cruz Simétrica, Cruz Grega e Cruz Escandinava, variando a formato cruzado quanto à proporção e disposição na bandeira. Há ainda o chamado Chevrons, caracterizado por um triângulo posicionado à esquerda, o Pall e o Saltire, ambos com formas geométricas próprias. Outros exemplos são as variações retangulares na vertical, chamado de Pales ou o Fesses, com bandeiras organizadas em faixas horizontais:

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Vale ressaltar que entre os 195 países do mundo, mais da metade das bandeiras foram criadas com base nos padrões retangulares Pales, Fesses e Chevrons, além de duas variações desses três formatos, a bend, caracterizada por um corte na diagonal, e pavilhões de duas cores com uma divisão no centro. São exemplos desses as bandeiras da Tanzânia e da Papua Nova-Guiné, como bends, e as bandeiras da Polônia e de Angola, no fesses de duas cores, dividida ao meio.

As bandeiras, em extensão, podem obedecer também a sete padronizações de organização como o Badge, representado pelo uso de símbolos como brasões ou escudos de armas; o Charge, cuja característica é possuir uma figura; além do Emblem, que indica o uso de um símbolo mais representativo do país ou entidade em questão. Várias bandeiras como a do Uruguai, dos Estados Unidos e da Austrália, por exemplo, usam do recurso chamado Canton, em que o desenho quadrangular da bandeira é dividido em quatro partes, sendo que uma delas será mais destacada, usualmente o quadrante ao alto e à esquerda:

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PADRONIZAÇÃO – Exemplos de Badge, Charge, Emblem e Canton: Albânia, Alasca, Argélia e Uruguai, respectivamente, da esquerda para a direita.

Em alguns casos dois ou mais padrões podem se combinar dando forma a uma só bandeira. Além de pavilhões que representam um único país, há aqueles em que a união de dois ou mais formam um só organismo como é o caso do Reino Unido, cuja bandeira oficial representa a junção daquelas dos países que o integram: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. No entanto, note que essa última não serviu de base, graficamente, para a constituição da Union Jack, como é chamada a bandeira do Reino Unido:

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Formatos, símbolos e cores

Apesar de apenas o Nepal possuir uma bandeira que não segue o padrão quadrangular tradicional, os demais 194 países do mundo seguem esse formato geométrico, porém, com proporções variadas em sua medida. Considerando o padrão 1:1, no qual a largura da bandeira será igual ao comprimento, dados da FIAV apontam como a escolha mais comum o padrão 2:3, adotado por 86 países, seguido do 1:2, presente em 54 bandeiras de estados nacionais. O formato 1:1, por sua vez, só foi adotado por duas nações, na mesma quantidade que o formato 7:11. A bandeira do Brasil, por exemplo, segue a proporção 7:10, ao mesmo tempo em que a bandeira de Andorra, pequeno país situado entre a França e a Espanha.

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PROPORÇÃO – Observa a variação na área proporcional entre essas bandeiras. Da esquerda para direita: Vaticano (1:1), Portugal (2:3), Nova Zelândia (1:2) e o Nepal (0:820). O padrão usado em Portugal é o mais comum em todo o mundo, seguido do 1:2 adotado pelo país da Oceania.

 

Outros pontos em comum entre o grande número de bandeiras nacionais ocorre na simbologia e nas cores usadas em cada pavilhão. Uma estatística entre os 195 países do mundo aponta que o símbolo mais dominante é a estrela. Em conjunto, num padrão organizado, como na China, ou  refletindo diferentes constelações, tal como ocorre na bandeira do Brasil, ou mesmo com uma única estrela – adotado em Israel e Gana – o uso de estrelas é destaque em 60 bandeiras, ou seja, aproximadamente 31% dos países.

Escudos ou brasões nacionais, prática comum entre nações europeias como Portugal, San Marino e Moldávia, além de países em diversos pontos do mundo como o México, na América do Norte; Moçambique, na África; e Fiji, na Oceania, representam a segunda categoria mais comum na simbologia em bandeiras. Já o uso de cruzes, seguindo ou não os formatos genéricos Simétrico, Grego ou Escandinavo, está presente em 18 pavilhões de nações independentes, embora se repita com mais frequência em territórios ou possessões de outros países, ainda sem autonomia, como é o caso das Ilhas Falkland (Malvinas), pertencentes ao Reino Unido, e a ilha de Niue, que integra o território da Nova Zelândia.

Os corpos celestes são elementos comuns, sobretudo entre países de maioria muçulmana. Malásia, Tunísia e Turquia possuem a representação da Lua na fase Crescente, uma simbologia venerada no Islã, em suas bandeiras. No entanto, Arábia Saudita e Irã, por exemplo, adotaram símbolos próprios, igualmente ligados à cultura local, eminentemente islâmica, sem recorrer ao uso do Crescente nos pavilhões. Por outro lado, a representação do Sol encontra-se de forma variada em bandeiras de países como a Argentina, Japão e a Namíbia.

Além disso, uma análise geral de todos os pavilhões nacionais revela uma utilização de combinações de cores que se repetem de forma aleatória ou mesmo coordenada segundo blocos de países que levam em consideração fatores como a religião. De forma mais ampla, nota-se uma predisposição para o uso do vermelho, azul, verde e branco como cor básica, totalizando, respectivamente, 31, 28, 11 e oito países. Além disso, entre as combinações de cores, destacam-se a adoção do trio vermelho-branco-azul, muito comum entre países europeus, tais como a Holanda, França e Rússia, bem como a gama entre preto, vermelho, branco e verde, presente em nove países concentrados no Oriente Médio e na Ásia Central.

Com relação à primeira combinação, um ponto em comum são os países de origem eslava que adotam, ao mesmo tempo, bandeiras semelhantes do ponto de vista das cores e no padrão fesses, buscando nos pavilhões valorizar a herança étnico-linguística. A escolha dos tons de azul, branco e vermelho remonta ao Congresso Eslavo de Viena, realizado em 1848, e que oficializou a bandeira de base à causa, inspirada naquela do Império Russo e hoje retomada pela atual Rússia, pós-União Soviética. As cores do Pan-eslavismo também foram a marca maior da Iugoslávia, cujo nome significa união dos povos eslavos. Dos países que surgiram após a fragmentação dela, metade decidiu não manter o padrão fesses e as mesmas cores nas respectivas bandeiras: Bósnia Herzegovina, Montenegro e Macedônia.

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PAN-ESLAVISMO – Embora o padrão de cada bandeira não seja o mesmo, os países eslavos buscaram nas cores do movimento Pan-eslavismo um esforço de identidade que se vê hoje nas bandeiras de alguns países no leste europeu.

 

Outro grupo de países que possuem bandeiras com cores combinadas são os do mundo árabe, influenciados diretamente pelos pavilhões de dois movimentos separatistas na região. O primeiro deles foi Revolta Árabe contra o Império Otomano, em 1916. À ocasião, os líderes criaram uma bandeira usando quatro cores ligadas a grupos de poder locais séculos antes. Dessas, a mais simbólica é o preto, cor da bandeira de Maomé, mas também utilizada pelos califados de Rashidun e dos Abbasidas. O verde representou o Califado de Fatimid ao passo que o Califado de Umayyad tinha a bandeira predominantemente branca. Já o vermelho simbolizava a bandeira dos Khawarij, embora durante o levante também se relacionasse à dinastia Hashemita, hoje no poder na Jordânia por meio do Rei Abdullah II.

Anos depois, em 1952, uma revolução no Egito visando a derrubada do poder do Rei Faruq, reformas na constituição em vigor e o fim da ocupação inglesa na região, com o reforço de um crescente sentimento nacionalista e de união entre os povos árabes, teve como símbolo a Bandeira de Liberação Árabe. Ela manteve as cores representativas da Revolta de 1916, mas além de eliminar o verde, atribuiu ao preto, ao branco e ao vermelho os significados de opressão histórica por nações estrangeiras, o futuro da região e o sacrifício para uma transição pela independência, respectivamente. Essa nova padronização influenciou a bandeira de países como o próprio Egito, Iêmen, Iraque e Síria, que chegaram a substituir os antigos moldes por pavilhões inspirados na antiga causa.

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PRIMEIRO MOMENTO – A criação de um estado árabe que se estenderia da atual Síria até o Iêmen, no sul da Península Arábica, estava entre os objetivos da Revolta Árabe de 1916. Apesar de ele não ter sido viabilizado, vários países que hoje integram a mesma região adotaram as cores desse levante, em um paralelo aos anseios de uma integração.

 

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SEGUNDO MOMENTO – Vários países optaram por readaptar as bandeiras em uso a partir de 1952, adotando pavilhões com as cores da Bandeira de Libertação Árabe, símbolo da Revolução Egípcia no mesmo ano, o que reacendeu o espírito do pan-arabismo no Oriente Médio e, no caso do Egito, ao Norte da África.

 

Outros movimentos em caráter internacional e que defendem a união em bloco de diferentes países mas que guardam semelhanças e pontos em comum na matriz étnico-linguística, histórico ou mesmo cultural, tais como o pan-africanismo, também têm as bandeiras em combinações de cores semelhantes, sendo cada uma com significados próximos. Nesse último caso, a opção é pelo vermelho, verde e amarelo, presente na maior parte dos países da África-subsaariana, tais como Gana, Etiópia e Camarões e em algumas ilhas no Caribe. São Cristóvão e Nevis é um desses exemplos.

E se os continentes tivessem bandeiras?

O estúdio ferdio, especializado em design gráfico, desenvolveu um projeto sobre as atuais bandeiras em uso pelos países e, unindo os elementos mais comuns na padronização do desenho e simbologia nelas empregada, propôs a criação de cinco bandeiras relativas aos continentes da América do Sul e América do Norte – integrando a essa os países da América Central e Caribe – África, Ásia e Europa. O resultado mostra uma combinação interessante que se assemelha à maior parte dos padrões de bandeiras nacionais reunidas de maneira continental:

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Adaptado de: ferdio

Dos 55 países africanos, o estúdio contabilizou 25 emblems na forma de estrelas – o que pode ser encontrado nas bandeiras de Togo e da Somália, por exemplo – com o predomínio do padrão fesses de três faixas na horizontal. Com a maior parte dos países também adotando a combinação de vermelho, verde e amarelo, correspondendo ao pan-africanismo, a hipotética bandeira da África se assemelharia à de Gana, localizada no mesmo continente.

Uma análise de o que seria a bandeira da Ásia aponta para a grande quantidade de países de maioria muçulmana no continente, tais como a Indonésia, que o ocupa o posto de maior nação islâmica do mundo, além daqueles nas regiões do Oriente Médio e da Ásia Central,  onde, respectivamente, a Arábia Saudita e o Irã são grandes expoentes das correntes Sunita e Xiita. Tal contexto é evidenciado pela simbologia do Crescente, disposta em sete bandeiras da região, e de uma ou mais estrelas, encontradas em outras 15. Assim como a África, o padrão mais comum são as faixas horizontais em fesses.

Já o continente americano, subdividido politicamente entre as américas do Sul, do Norte e Central, associada às ilhas caribenhas, foi representado em dois grupos. Aquele dedicado às 13 nações da América do Sul ganhou uma bandeira em que os traços predominantes remontam ao que o estúdio denominou como “Miranda”. Trata-se da combinação entre amarelo, azul e vermelho, no padrão fesses, facilmente vista nas bandeiras da Colômbia, Equador e Venezuela, e que estão ligadas ao revolucionário venezuelano Francisco de Miranda, precursor de Simon Bolivar no processo de independência de boa parte das antigas colônias espanholas no continente no Século XIX. A esse padrão, segue o uso de uma estrela como emblem, correspondente aos pavilhões do Brasil, Chile, Suriname, Venezuela, em maioria ante ao uso de badges ou brasões, como na Bolívia e no Equador.

A América do Norte – aqui englobando a América Central e o Caribe – tem uma bandeira no padrão pales, com faixas na horizontal, apresentando-se com uma característica marcante entre os pavilhões da América Central: a combinações azul-branco-azul, como pode ser encontrada nas bandeiras de El Salvador, Guatemala e Honduras. México e o Canadá também apresentam o mesmo padrão, porém em outras cores. A simbologia empregada, com um badge, buscou unificar outros elementos comuns entre as bandeiras dos 22 países, como a presença de listras.

Comum entre 17 bandeiras dos 48 países europeus, o padrão fesses foi o escolhido pelo estúdio para representar o continente. A ausência de símbolos, característica presente em 20 bandeiras que apresentam ou não as faixas horizontais, também é marca da bandeira europeia, com as cores na combinação vermelho-branco-azul. Essas podem ser vistas nos pavilhões da Croácia, França, Eslováquia, Eslovênia, Holanda, Inglaterra, Islândia, Luxemburgo, Noruega, República Checa, Rússia e Sérvia.

A oceania contaria com uma bandeira marcada pelo canton com a Union Jack, bandeira do Reino Unido, simbolizando a atuação de exploradores britânicos na região sobretudo no Século XVIII. Cinco dos atuais países independentes da região foram possessões de Londres até que ganhassem autonomia e se separassem do domínio da Coroa. Desses, quatro ainda mantém as bandeiras o canton britânico: Austrália, Fiji, Nova Zelândia e Tuvalu. Outra característica encontrada no pavilhão da Oceania são estrelas ordenadas segundo diferentes intenções: Austrália, Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné e Samoa têm a constelação do Cruzeiro do Sul como símbolo nacional. Por outro lado, os Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão e Tuvalu dispuseram estrelas indicando a quantidade de ilhas e atóis presentes em cada um de seus territórios. Já Nauru usa uma estrela de 12 pontas simbolizando o mesmo número de tribos que habitavam inicialmente o país, restrito a uma só ilha. Ao todo 64% das bandeiras do continente, entre a Australásia, Melanésia, Micronésia e Polinésia, tem estrelas como recurso simbólico.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASTRO, Iná Elias de. Geografia e Política: território, escalas de ação e instituições. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil. 2005. 298p.
DENSON, J. BACHELLER, M.A., et al. The Five Worlds of Our Lives: ingredients and results of war and revolution. A Geohistory. New York City. Newsweek, Inc. & C.S. Hammond & Co., Inc., 1961. 320p.
SIMIELLI. Maria Elena Ramos. Geoatlas: edição reformulada e atualizada. São Paulo. Editora Ática, 2006. 168p.
SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio: o mapeamento completo de todos os conflitos. São Paulo. Publifolha, 2008.144p.
ZNAMIEROWSKI, Alfred. The World Encyclopedia of Flags: the definitive guide to international flags, banners, standards and ensigns. Leicester. Lorenz Books, 2013. 256p.
SITES CONSULTADOS
Central Intelligence Agency – The World Factbook
Estúdio ferdio – Continent Flags
Federação Internacional de Associações Vexilológicas
Flags of the World
Organização das Nações Unidas
Portal de Governo da República Árabe do Egito
Portal de Governo da República Árabe da Síria
Portal de Governo da Comunidade da Australia
Portal de Governo da Nova Zelândia – The NZ flag: Your chance to decide
Portal de Governo da República de Nauru
Portland Flag Association – “Finalists” for New Fiji Flag

A história dos antípodas: conheça, precisamente, o outro lado do mundo

Por Eduardo Klein

O que aconteceria se abríssemos um túnel sob os nossos pés com a intenção de chegarmos ao outro lado da terra?
Por várias vezes, especialmente quando crianças, nos deparamos com essa ideia que, por mais fantástica que possa parecer, revela-se inviável. Afinal, estamos falando de uma travessia pelas camadas internas do planeta, passando por temperaturas estimadas em até 5.400ºC no núcleo interno, sem contar com variações extremas de pressão e os efeitos de outros fenômenos como forças gravitacionais e outras dinâmicas existentes no interior da Terra.
No entanto, é verdadeira a afirmação de que existe uma localização terrestre precisa e exatamente oposta àquela em que nos encontramos. Isso pode ser explicado pelas propriedades do formato terrestre, o geóide. Embora a circunferência se aproxime mais do elipsóide, sólido utilizado para representar de maneira aproximada o planeta, em ambas as referências geométricas é possível traçar uma linha reta entre dois pontos em quaisquer lados opostos da superfície.
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Projeção que demonstra a correlação entre os continentes e oceanos com os respectivos antípodas. Observe a posição relativa entre o sul da América do Sul abrangendo o Chile e a Argentina, e boa parte do leste da China.

Dessa forma, voltamos à ideia do túnel que, em tese, corresponde a um traçado interno no planeta, conectando duas localidades em terra firme ou no mar e diametralmente opostas. A esses dois pontos, chamamos de antípodas.

Como funcionam?

A localização exata de um antípoda pode ser obtida por meio das coordenadas geográficas, importante recurso que utiliza do cruzamento de linhas imaginárias que cortam a Terra de forma horizontal e vertical – os paralelos e meridianos – respectivamente. Nesse sistema, os paralelos permitem obtermos uma medida em graus por meio da latitude ao mesmo tempo em que os meridianos nos fornecem a longitude também em graus. Qualquer localização na superfície terrestre pode ser obtida pela junção dessas duas medidas de referência.

Logo, um antípoda pode ser localizado utilizando do encontro entre o paralelo e o meridiano que passam pelo ponto onde o observador estiver. A latitude na localidade oposta, ou seja, o antípoda, será a mesma, embora numericamente negativa. Para corrigi-la, visto que não há coordenadas com números inferiores a zero, invertemos o hemisfério em questão: se o observador estiver no Hemisfério Sul, seu antípoda, em relação à latitude, estará no Hemisfério Norte e vice-versa.

Vamos utilizar de um exemplo prático. Tauranga, uma cidade localizada no litoral norte da Nova Zelândia, tem como referência a latitude de 37º 41’ S. A localidade terrestre que está do outro lado dessa cidade – o antípoda dela – pode ser obtida na latitude de 37º 41” N. Observe que apenas o hemisfério em questão foi substituído pelo oposto à primeira.

Já a longitude do antípoda pode ser obtida pelo suplemento do ângulo que corresponde ao ponto onde o observador está. Em outras palavras, a medida em graus necessária para chegarmos a 180º. Para compreender o processo: o antípoda de Tauranga, o qual já encontramos a latitude, pode ter a longitude encontrada subtraindo 180º da medida em graus da longitude da cidade neozelandesa. Como ela está localizada a 176º 10’ E, a diferença entre 180º e a referida medida corresponderá a 3º 49’, o que equivale a 3º 49’ longitude oeste.

Assim, no encontro entre 37º 41” N e 3º 49’ W estará o antípoda de Tauranga, que é a cidade de Los Villares, na Espanha.

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Los Villares, na Espanha, e Tauranga, na Nova Zelândia: situações opostas não apenas enquanto antípodas.

Outros antípodas

Embora os antípodas Tauranga e Los Villares sejam exatamente duas cidades, nem sempre encontramos essa coincidência entre outros pontos diametralmente opostos na superfície terrestre. Uma das características do planeta que explica esse fenômeno é a distribuição de terras submersas, muito superior à proporção de terras emersas, representadas por continentes e ilhas. Em outras palavras, com um volume de água equivalente a 71% do globo distribuído em oceanos, calotas de gelo, rios e lagos, é mais comum o antípoda de um ponto estar em pleno alto mar, do outro lado do planeta.

É o caso, por exemplo, de Belo Horizonte. O antípoda da capital mineira está localizado no Oceano Pacífico, a leste da China, ao sul do Japão e a nordeste das Filipinas. O ponto remoto está distante cerca de 100 quilômetros da ilha mais próxima, Okinotorishima, pertencente ao Japão. Ela, por sua vez, está a 1.560 quilômetros de Tóquio. As coordenadas do antípoda de Belo Horizonte podem ser obtidas a partir daquelas da cidade brasileira: a 19º 57’ 58” S e 43º 57’ 47” W, o ponto diametralmente oposto está a 19º 49’ 01” N e 136º 12’ 13” E.

Assim como Belo Horizonte, boa parte dos antípodas a partir do Brasil encontra-se no Oceano Pacífico. No entanto, algumas áreas em Mato Grosso e no sul do Pará estão opostas às Filipinas, tal como a capital desse país, Manila. Localizada a 14º 35’ N e 121º 00’ E, ela tem como antípoda parte do município de Tangará da Serra, a 185 quilômetros de Cuiabá. Além das Filipinas, parte das ilhas que compõem a Indonésia encontram seus antípodas em trechos de Rondônia e do Amazonas, assim como a ilha de Bornéu, onde está localizado outro país, o Sultanato de Brunei.

Já o litoral da China está diametralmente oposto a boa parte dos territórios da Argentina e do Chile. Hong Kong, por exemplo, tem o seu ponto mais alto, a montanha de Tai Mo Shan como antípoda da cidade de La Quiaca, localizada na fronteira entre a Argentina e a Bolívia. Só a distância em linha reta entre as duas localidades pela superfície terrestre equivale a 19.993 quilômetros, um percurso que nem mesmo aviões de grande porte e alcance conseguem realizar sem ao menos uma escala de reabastecimento. Também podemos encontrar como antípodas as cidade russa de Ulan Ude e os arredores de Puerto Natales, no Chile, e Palembang e Neiva, localizadas na Indonésia e na Colômbia, respectivamente.

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A América do Sul tem vários antípodas concentrados no Sudeste Asiático ou mesmo na Sibéria, mais ao norte do mesmo continente. O Brasil corresponde às Filipinas, identificadas em amarelo na projeção à esquerda, diametralmente opostas a trechos das nossas regiões Centro-Oeste e Norte, assim como a ilha de Bornéu, que é antípoda de parte da Floresta Amazônica. Observe ainda a ilha de Sumatra, na Indonésia, acompanhando o litoral do Equador e da Colômbia também na projeção à esquerda.

Além desses países, trechos no norte, oeste e sul espanhóis têm a Nova Zelândia como antípoda, tal como o já citado exemplo entre Tauranga, no país da Oceania, e a espanhola Los Villares. Outros antípodas entre os dois países são o lago Coleridge e a cidade de La Coruña, as cidades de Masterton e Segóvia, além de Auckland e Sevilha, cidades cujas coordenadas de referência estão separadas por uma pequena distância, quando consideramos as duas localizações diametrais.

Os polos Norte e Sul, localizados nas extremidades terrestres, também são reconhecidamente antípodas entre si.

Antípodas homônimas

Há ainda outra curiosidade que ganha destaque quando visualizamos como antípodas os dois pontos em questão. Um trecho pertencente à cidade de Formosa, na Argentina, localizado a 25º 02’ S e 60º 02’ W, tem como seu ponto diametralmente oposto à capital de Taiwan, Taipei, cidade cujas coordenadas são 25º 02’N e 121º 38’E. Mas onde está a coincidência entre essas duas localidades?

Embora Taiwan seja o nome oficial do país, que também é conhecido como República da China, a ilha em que ele está localizado foi batizada como Formosa por navegadores portugueses quando a avistaram pela permitira vez ainda no Século XVI. Até meados do Século XX, boa parte da literatura ocidental ainda apresentava Taiwan pelo nome de Formosa, apesar de o primeiro termo passar a ser usado ainda em 1684 pelos habitantes chineses da ilha.

Ficou curioso? Acesse esse site e descubra quais são e onde estão os antípodas em todo o mundo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GROTZINGER, John. e JORDAN, Tom. “Para entender a terra”; Porto Alegre. Bookman, 2013.
SHEPERD, John R. “Statecraft and Political Economy on the Taiwan Frontier, 1600–1800”;   Stanford. Stanford University Press, 1993.
SIMIELI, Maria Elena R.S. “Geoatlas”; São Paulo. Ática, 2006.

Internet no celular – As alegrias e tristezas que ela proporciona

por Fábio Silva

Entenda sobre os estados de sua conectividade, que muitas vezes te salvam do tédio na fila de espera, mas, em outras te consomem de ansiedade na espera por enviar aquela mensagem tão importante!

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O advento da internet é indubitavelmente a mais bem sucedida ferramenta dentre todos os âmbitos da tecnologia, influenciando as mais variadas esferas da humanidade. Paralelamente a esse fator, o crescimento exponencial da telefonia auxiliou a estreitar ainda mais os caminhos da comunicação. O grande benefício se deu com a convergência da internet aos sistemas telefônicos, unindo o acesso a grande rede à mobilidade.

Dados e Fatos

O Ministério das Comunicações afirma que 55% dos brasileiros com 10 anos ou mais acessam a internet regularmente, o que totaliza 94,2 milhões de pessoas.  76% destes acessam com mais frequência a grande rede através do celular. Um bocado de gente, não? Haja Wi-Fi para manter todos conectados.

E quando a internet roteada não está presente, resta utilizar dados móveis providos pela sua operadora. Esta tecnologia está presente desde a primeira geração de celulares na década de 80, e mesmo sendo extremamente limitada, trilhou os caminhos para a consolidação que se vê hoje em dia.

E por falar nos dias de hoje, atualmente estamos transitando entre a segunda, a terceira e a quarta geração da telefonia, que são respectivamente chamadas de 2G, 3G e 4G. Vamos entender a qual dessas plataformas estão associados os símbolos que descrevem o sinal no seu telefone:

Geração 2G

Por ser a tecnologia mais antiga, é também a mais consolidada. Possui, portanto, a maior abrangência ou cobertura nos locais mais ermos. O 2G é na verdade utilizado para conversas telefônicas através do protocolo GSM (Global System Communications), que é base para qualquer telefone celular no mundo. Para o tráfego de dados, foram implantados o 2,5G e o 2,75G, que são padrões de transição para a tecnologia 3G.

  • Quando o símbolo G aparece em sua tela, você está utilizando o GPRS (General Packet Radio Service). Esse protocolo se refere ao 2,5G e pode transmitir dados a uma velocidade 114kbps. É considerado o cúmulo da lentidão no carregamento de páginas da web, mas como já dito, é a tecnologia com maior cobertura, abrangendo maiores áreas do Brasil.

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  • O símbolo E representa a tecnologia EDGE (Enhanced Data rates for GSM Evolution) e é uma evolução do 2,5G, chamado 2,75G. É um padrão de transição para o 3G, que pode alcançar uma média de velocidade de 400kbps.

Geração 3G

É a geração em que a maioria dos usuários de internet móvel se encontra. Essa terceira geração garante velocidade mínima de 200kbps.

  • Quando a sigla 3G é exibida, faz referência à tecnologia UMTS (Universal Mobile Telecommunications Service), base para a terceira geração. Alcança velocidade de até 2Mbps.
  •  O símbolo H é um dos desdobramentos do 3G, também chamado 3,5G. A sigla H vem do HSPDA (High-Speed Downlink Packet Access) e oferece velocidade de navegação de até 14Mbps, embora no Brasil os planos mais comuns sejam de 1Mbps.

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  • Quando o H está funcionando a todo vapor, isto é, com forte potência de sinal, seu símbolo se transforma para o H+, que é uma evolução do HSPDA. Essa tecnologia fornece velocidade de até 21Mbps.

Geração 4G

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O famoso 4G, também vista como LTE, é a onda do momento! Ainda está em implantação no Brasil, por isso dispõe de pouca cobertura. A tecnologia prevê tráfego de até 100Mbps. Essa geração está sendo implantada em frequência de 2.5GHz, que por ser relativamente alta, sofre grandes interferências com alterações climáticas e necessitam de muitas antenas de retransmissão de sinal. Uma alternativa para melhoria do 4G é sua ampliação para a  frequência de 700MHz, que ocorrerá quando o sinal analógico de TV ceder definitivamente esta faixa para as operadoras de telefonia.

Agora que você sabe sobre as “fases”da internet em seu celular, pode controlar suas emoções em relação a disponibilidade de rede em seu aparelho. Basta lembrar da “escadinha” em ordem crescente de velocidade: G → E → 3G → H → H+ → 4G.

Uma dica: Se quiser conferir melhor o tipo de rede móvel atual do seu android, basta ir em Configurações > Sobre o telefone > Status

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Fontes:
http://www.mc.gov.br/sala-de-imprensa/todas-as-noticias/telecomunicacoes/36981-acesso-a-internet-pelo-celular-triplica-no-brasil
http://olhardigital.uol.com.br/noticia/conheca-as-diferencas-entre-1g,-2g,-3g-e-4g/34225
http://canaltech.com.br/dica/internet/saiba-a-diferenca-entre-g-h-h-e-e-no-sinal-do-seu-smartphone/
https://www.oficinadanet.com.br/post/12466-o-que-significa-as-letras-e-g-h-h-e-3g-na-conexao-com-internet-movel
http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialintlte/pagina_2.asp

Um pouquinho sobre Motivação

Por Henrico Barbosa

Um dos grandes problemas atuais é: como fazer para manter a motivação?

Muitas vezes começamos um projeto, profissional ou pessoal, cheios de ideias e energia, mas, eventualmente, nos encontrarmos no meio do caminho com uma vontade enorme de desistir! Os resultados parecem inalcançáveis, deixamos de enxergar os benefícios e daquele projeto e nos perguntamos: “Por que estou fazendo isso ainda?”.

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E o pior é que, muitas vezes, como na imagem acima, não temos nem ideia do quão próximo estávamos dos nossos objetivos. Isso é ainda mais dramático pois vivemos em um mundo que nos exige, cada vez mais, resultados mais rápidos e eficientes para problemas mais complexos.

O objetivo desse texto é falar um pouco sobre o que nos motiva. Vamos então falar primeiro sobre a motivação intrínseca. Ao contrário do que muitos pensam, não é o dinheiro ou uma recompensa material o meio mais eficaz para motivar uma pessoa. Existem estudos de caso que comprovam que, algumas vezes, esta abordagem até atrapalha o desempenho. De acordo com Daniel H. Pink, a motivação se baseia no tripé autonomia, maestria e propósito. Segundo o autor:

Autonomia: consiste no desejo em controlarmos nossas próprias vidas, realizando as tarefas do modo que julgamos o melhor e obtendo com isso uma sensação de prazer e felicidade.

Domínio: é o desejo de melhorarmos cada vez mais naquilo que fazemos. Quando temos a oportunidade de aprender constantemente significa que cada dia é diferente do outro, e todo dia seremos melhores do que no dia anterior.

Propósito: perceber onde nosso trabalho se encaixa dentro da organização dá sentido a ele, e torna possível notar como uma melhora no desempenho individual impacta no resultado final.

Há situações em que a culpa nem é do indivíduo, mas do ambiente em que ele se encontra como pode ser lido numa crítica feita por Adauto Braz em seu post “A universidade matou sua motivação”! Basta trocar “universidade” por “colégio” ou “empresa”, e o resultado é o mesmo: um ambiente com poucos estímulos ou desinteressante pode se tornar tedioso e, por isso, “matar” nossa motivação.

Mas, chega de problemas! Vamos às soluções, ou melhor, sugestões.

Cada indivíduo é único, portanto como se motivar depende mais do autoconhecimento do que de qualquer outra coisa. Pessoalmente, recomendo tirar um tempo para si mesmo, deixar anotado o tripé da motivação em algum lugar de fácil acesso, como o celular ou a carteira, e refletir sobre ele. Pergunte a si mesmo: “Onde se encontram a autonomia, o domínio e o propósito de meu projeto? Como posso lidar com eles?”.

Grandes empresas já entenderam como melhorar a produtividade de seus funcionários. A Google permite que seus empregados possam trabalhar em projetos pessoais, que o funcionário possa trabalhar de acordo com seu próprio horário e, mantém um espaço de lazer com vídeo games e poltronas confortáveis para que o seu funcionário possa “relaxar” no meio do expediente.

Outro exemplo é a Wikipedia. Onde já se viu acesso tão simples e rápido à informação, sendo que as pessoas atualizam as informações contidas no site por vontade própria, sem remuneração alguma?

Já pararam para pensar na qualidade e velocidade com que saem as legendas feitas por fãs de filmes, séries, livros, animes e jogos? Todas estas pessoas fazem o que fazem por vontade própria, apenas para se desafiar, para mostrar o que sabem, o quão capazes são ou apenas para compartilhar seus interesses com o maior número possível de pessoas. Essa atividade mostra fortes aspectos do tripé. Há autonomia, já que o projeto de tradução é controlado pelos próprios fãs. Há maestria, ao passo que os tradutores e editores aprimoram com cada projeto, podendo até praticar línguas estrangeiras. E propósito, ao compartilhar do próprio interesse com outros e divulgar seu trabalho.

Termino por aqui, espero que essas informações sobre motivação possa ajuda-los a encarar com outros olhos o ano escolar, o vestibular, trabalho, ou qualquer outra tarefa que venha pela frente.

Duvido que consigam colocar o tripé da motivação em prática!

desafio

Fontes:
http://fluindo.com/motivacao-3-0-de-daniel-h-pink/     Acesso em Março/2016
http://fluindo.com/daniel-pink-nova-motivacao/        Acesso em Março/2016
https://renangurgel.wordpress.com/2015/02/18/os-3-pilares-da-motivacao/ Acesso em Março/2016
https://www.youtube.com/watch?v=u6XAPnuFjJc     Acesso em Março/2016
https://medium.com/escola-pirata/a-universidade-matou-sua-motivação-5bc46f4f3d8e#.d6wutmmmj    Acesso em Março/2016
http://ideiasja.com.br/os-3-pilares-da-motivacao-e-como-alcanca-los/    Acesso em Março/2016